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A surpreendente Tunísia
Quando eu tinha 12 anos, entrou em cartaz no cinema São José, da minha querida Itapeva, o filme “Aníbal o Conquistador”, estrelado por Victor Mature.
Anos mais tarde, ao estudar as Guerras Púnicas, travadas entre Roma e Cartago pelo domínio das rotas comerciais do Mar Mediterrâneo, achei impressionante a história do
estrategista Aníbal Barca, que nasceu no ano de 247 a.C. em Cartago.
Eu sempre tive o sonho de conhecer essa antiga colônia fenícia. Agora em 2010, finalmente, aproveitei o mês de fevereiro para fazer com minha esposa uma viagem ao norte
da África. Bem ao lado de Túnis, capital da Tunísia, ficam as ruínas da Cartago, tombadas pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, por seu grande valor
arqueológico.
A historia de Aníbal é longa. Nestas breves linhas quero destacar somente sua ousadia de atravessar os Alpes durante um inverno rigoroso, conduzindo 20 mil cavaleiros,
46 mil soldados a pé e 37 elefantes. Poucos empreendimentos militares da Antiguidade deixaram uma impressão tão profunda como a travessia dos Alpes por Aníbal. Ele nunca
ele foi surpreendido em desânimo, sabia reerguer a moral e a determinação da tropa, era um orador capaz de motivar seus aliados.
Ele queria surpreender os romanos entrando na Itália pelas planícies do vale do rio Pó. Perdeu 26 mil soldados e 19 mil cavaleiros na travessia dos Alpes, mas não perdeu
nenhum dos elefantes. Como foi que ele conseguiu atravessar com 37 elefantes aquelas trilhas estreitas e perigosas?
O mais curioso foi que, depois disso, durante sua caminhada em direção a Roma, 36 elefantes morreram de frio e somente um sobreviveu. Quando atravessava os Alpes ele fez
o mais difícil, que foi preservar os paquidermes, porém na planície não se preocupou em fazer abrigos para protegê-los.
Refletindo sobre isso, colhi o seguinte ensinamento:
Quando estamos em caminhos montanhosos, enfrentando desafios e situações de estresse, a nossa adrenalina nos desperta não apenas para o entusiasmo, que nos dá
forças para vencer as dificuldades, como também para o cuidado com os perigos. Quando estamos na planície, porém, tudo parece mais fácil e muitos costumam “baixar a
guarda” deixando flancos abertos para infortúnios.
Ou seja: precisamos estar atentos tanto nas montanhas como nas planícies da vida.
O guia local, que nos mostrou Cartago, sabia pouca coisa sobre Aníbal e sua importância para a história como general estrategista. O herói exaltado pelo guia é Habib
Bourguiba, que libertou a Tunísia do domínio francês em 1956 e hoje é nome da principal avenida de Túnis.
A população da Tunísia, com 10 milhões de habitantes, uma gente bonita que fala árabe e francês, tem origem em povos nômades chamados de berberes. É o país mais europeu
e hospitaleiro do mundo árabe, repleto de locais históricos, paisagens estonteantes, vastas plantações de oliveiras e tâmaras, e com uma fabulosa costa mediterrânea que
contrasta com o árido deserto de Saara. Uma paisagem tão interessante que serviu de cenário para filmes inesquecíveis, como Lawrence da Arábia, O paciente inglês e
Jornada nas Estrelas.
Eis aí uma viagem que recomendo a todos. Viajar é um dos melhores investimentos de nossa vida!
Prof. Gretz
Na porta de um Ksar berbere.
Centro comercial de Túnis.
Ao lado de uma berbere.
Preparando-se para uma aventura.
Entrando no deserto do Saara.
Fenda no Oásis de Tozeur.
Diante das ruínas de Cartago, o Prof. Gretz aponta para o Mar Mediterrâneo.
Hotel Ksar de Ouled Soltane.
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