| A hora da verdade
Prof. Gretz
Dizem que na vida tudo é passageiro.
Exceto o motorista e o cobrador, completam alguns, mas também
esses profissionais são passageiros quando não
estão trabalhando. Assim como todo corretor e todos
os vendedores em geral, quando não estão atendendo
clientes, estão sendo atendidos, como clientes.
Mesmo sendo todo mundo cliente, muitos
se esquecem disso quando estão na sua hora de servir.
Assim como muitos motoristas se esquecem que em outros momentos
são pedestres. Só quem não se esquece
disso sabe que poucas coisas são tão passageiras
como a lealdade dos clientes. Fala-se muito em fidelização
mas na verdade não há cadeira cativa. A cada
dia temos que conquistar, reconquistar e manter o que já
havíamos conquistado. Isso vale até para o
casamento! Conheço gente que se vangloria de ser
irresistível conquistador, mas de tempos em tempos
acumula uma nova pensão alimentícia em suas
contas a pagar...
O custo para conquistar um novo cliente
é cinco vezes maior do que o de manter um cliente
antigo. Pare de servir bem os clientes e você os perderá.
Muitas vezes isso ocorre por um detalhe que você nem
percebe. Sabe aquela rodinha emperrada do carrinho do supermercado?
Ela tem tanta importância quanto a caríssima
decoração, o ar condicionado perfeito e o
impecável controle de estoques. O elo mais fraco
torna-se então a parte mais importante da corrente,
porque vai ser determinante na avaliação do
cliente.
E raríssimos são os clientes
que reclamam. Reclamar é chato, é difícil,
as pessoas não se sentem bem quando reclamam, principalmente
porque muitas vezes não adianta. Está provado
que 96% preferem simplesmente mudar de empresa, ou de produto,
pois é mais fácil mudar do que reclamar.
Para quem está na linha de frente,
o mais terrível é saber que muitos motivos
de insatisfação do cliente dependem da retaguarda,
dos setores de atendimento da empresa. O telefone que demora
a ser atendido, a indiferença de quem atende ou a
fórmula robotizada de alguns serviços, o hábito
de passar adiante um problema sem resolvê-lo –
e não há cliente que goste de sentir-se um
número, como se estivesse falando apenas com máquinas,
ou sentir-se um iô-iô que é jogado de
um setor para o outro.
Afinal, quem é o cliente?
Para resolvermos situações
como essas, que não dependem apenas do nosso próprio
atendimento, precisamos saber que a clientela não
é formada somente pelos compradores, mas sim por
todos os envolvidos no processo.
Temos os clientes externos, que são
os consumidores do produto ou serviço, e todos os
segmentos da sociedade que têm alguma relação
com a empresa.
Mas há também os clientes
intermediários – ou seja, os integrantes da
rede de venda, os fornecedores e os parceiros ou terceirizados.
E não podemos nos esquecer dos clientes
internos, que são os colegas de trabalho, as pessoas
para quem você repassa ou encaminha serviços.
Para ser bem-sucedido com os clientes externos,
você precisa prestar atenção ao seu
cliente interno mais próximo, o colega da sala do
lado, a secretária, o gerente, e aos intermediários,
inclusive o atendente de telemarketing, a telefonista, a
recepcionista, o ascensorista – sem esquecer da rede
de atendimento a quem o comprador precisará recorrer
em qualquer necessidade.
É claro que muitas vezes a solução
de um problema não dependerá de você,
mas conhecendo bem a estrutura de atendimento e mantendo
boas relações com as pessoas-chaves dessa
estrutura você poderá ser um valioso aliado
do cliente final – que assim saberá com quem
contar nas horas difíceis. Para isso, não
custa lembrar algumas dicas óbvias, porém
essenciais à fidelidade do cliente:
o cliente sente-se mais seguro quando sabe
que pode encontrá-lo a qualquer momento, por isso
deixe sempre com ele o número do seu celular;
seja preciso em suas informações ao cliente;
se houver qualquer dúvida ou imprecisão, certifique-se
com os setores competentes e volte a ligar para o cliente
completando ou retificando sua resposta;
não espere a última hora para informar ao
cliente sobre o final do prazo de uma apólice;
procure acompanhar com interesse a solução
de qualquer problema do cliente, mesmo que não seja
de sua responsabilidade direta; ele ficará grato
e confiante.
O cliente mais importante
Tudo bem. Mas ninguém é super-homem
para ser esse profissional perfeito e sempre solícito,
não é? Aí chegamos num ponto importante:
o atendimento ao principal cliente. Se ele não estiver
satisfeito, nenhum outro estará, nenhum outro será
realmente bem atendido.
Quem é esse cliente especial? Ele
acompanha você a cada dia, desde que você acorda
e olha no espelho, segue seus passos quando vai para o trabalho
e quando está sozinho no elevador, quando volta para
casa e até mesmo quando dorme e sonha.
Matou a charada? É você mesmo.
E logo em seguida o seu círculo mais íntimo:
sua família, seus entes queridos. O que vem primeiro?
O trabalho, a família ou o indivíduo? Na verdade,
uma coisa depende essencialmente da outra. Se você
trabalha e realiza-se como pessoa, e se satisfaz a si próprio,
sentindo-se feliz com sua vida pessoal, cultivando boas
amizades, compartilhando bons momentos com sua família,
encarando com positividade até mesmo os momentos
difíceis da vida – aí sim você
poderá dar o melhor de si para os outros, pois o
principal cliente está bem atendido.
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