| Honra a quem merece honra
Prof. Gretz
Há alguns meses, a bordo de um avião
da TAM, achei especialmente interessante uma mensagem do
Comandante Rolim Amaro, entre as que ele fazia regularmente
para serem distribuídas a todos os passageiros de
sua empresa aérea.
Nessa mensagem, ele estimulava as pessoas
a indicar familiares ou amigos que tivessem vontade de trabalhar
na TAM, e que tivessem o seguinte perfil:
Bom humor
Entusiasmo
Espírito de servir
Humildade
Participação (comprometimento, envolvimento
com a equipe)
Apresentação pessoal.
Com essa carta, na verdade, Rolim estava
mostrando as qualidades do pessoal que ele procurava ter
em sua empresa. Fazia disso um marketing inteligente, destacando
a importância do elemento humano como diferencial
de sucesso em uma companhia onde os equipamentos e os recursos
tecnológicos são peças essenciais.
E incluiu entre os requisitos um item no
qual ele próprio foi um mestre: a apresentação
pessoal. Ou, numa visão mais ampla, o MARKETING PESSOAL.
Todos nós associávamos sua
empresa imediatamente ao seu nome. O Comandante Rolim tornou-se
uma lenda viva, um personagem que retratava o entusiasmo
e o espírito empreendedor. Desde quando tinha apenas
um táxi aéreo no interior de São Paulo
até os tempos recentes em que sua empresa passou
a liderar o ranking de passageiros no Brasil, era possível
vê-lo pessoalmente cumprimentando cada um dos que
embarcavam em seus aviões, atento a detalhes como
o tapete vermelho, a marca das balas distribuídas
pelas aeromoças e o hábito de responder pessoalmente
as cartas que ele própria estimulava, distribuindo
o papel e seu cartão, para que lhe escrevêssemos.
O marketing pessoal é um recurso
legítimo, altamente eficaz quando bem utilizado.
Não deve ser confundido com vaidade ou cabotinismo.
Pelo contrário: é tirar o foco de si mesmo
e voltar as atenções para o cliente. É
saber vender a si mesmo, para poder vender seus produtos.
"Vender é a arte de fazer o
cliente acreditar em você". Repito sempre essa
frase em minhas palestras, frisando que isso começa
pelo autoconhecimento. É preciso conhecer a si mesmo,
para promover sua própria "qualidade total",
aprimorando-se de modo a oferecer o que há de melhor,
cativar o próximo com sua personalidade, credibilidade,
competência, atenção e cortesia.
Conhecendo a si mesmo é possível
aperfeiçoar a imagem pessoal e transmitir sempre
uma boa "primeira impressão". Como dizem
vários autores, não existe uma segunda chance
de provocar uma boa primeira impressão.
A partir daí, o foco tem que ser
totalmente no outro, na pessoa com quem estamos lidando
em cada circunstância. É necessário
conhecer a fundo as necessidades do cliente. Saber perguntar,
saber ouvir, escutar até mesmo o que não é
dito, perceber no cliente a necessidade que ele mesmo ainda
não percebeu, desenvolver soluções
para ele. No processo de negociação, conhecendo
o cliente você será capaz de desenvolver argumentações
pelo ponto de vista dele. E, depois do negócio feito,
acompanhar os resultados, manter o atendimento com total
atenção aos detalhes, e dar continuidade ao
relacionamento: estes são os ingredientes da fidelização.
Além de conhecer o cliente, outro
requisito do marketing pessoal é conhecer o produto,
ter profundo entendimento do seu negócio.
O autoconhecimento, o conhecimento do outro
e do produto que você está oferecendo são
fatores que lhe darão segurança para ter assertividade
nas relações com os clientes e os companheiros
de trabalho em todos os níveis – do patrão
ao subordinado. Ser assertivo é falar com sinceridade,
é ter coerência entre o que se pensa, o que
se fala, os sentimentos e as ações.
Outro fator importante do marketing pessoal
é conhecer e respeitar as regras de etiqueta. Observar
os costumes dos seus interlocutores; saber a importância
da boa apresentação e das boas maneiras; apresentar-se
adequadamente vestido para cada ocasião; portar-se
com autoconfiança, desenvoltura e naturalidade em
qualquer situação; conhecer e respeitar as
diferenças culturais no trato com pessoas de outras
crenças ou nacionalidades. E manifestar-se sempre
de modo politicamente correto, mesmo nos momentos mais informais,
evitando preconceitos de qualquer tipo e comentários
ou anedotas de teor racista, sexista ou discriminatório.
A prática das boas maneiras, com naturalidade e sem
afetação, é um importante diferencial
para o sucesso.
"Honra a quem merece honra",
disse Paulo de Tarso aos Romanos. Com essa frase significativa,
ele quis dizer que aquele que sabe honrar é uma pessoa
honrada e merece honra. Isso se aplica a grandes empreendedores,
como foi o Comandante Rolim, a quem homenageamos neste momento.
E também pode se aplicar a cada um de nós,
pois a honra – como definem os dicionários
– é dignidade, retidão, honestidade,
brio, consideração ao talento, às boas
ações e à coragem. As melhores metas
de qualquer marketing pessoal.
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