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Uma viagem fascinante


Na praça vermelha de Moscou.


Na saída para a grande aventura.


Dentro da cabine do Transiberiano.


O Transiberiano cortando as estepes russas.


Ao fundo, o Lago Baikal, que contém 20% da água doce do planeta.


 Visitando a residência de uma camponesa  russa.


Ao fundo, as Taigas, vegetação típica.


No vagão restaurante, em uma aula de russo.


Na locomotiva, curtindo a beleza do lago Baikal.


Ao lado de um conjunto de musica regional russa.


Ao fundo as tendas ger, na Mongólia, com temperatura abaixo de zero.


Dentro de uma tenda ger, com chapéu típico da Mongólia.


Na Mongólia, ao lado de um morador típico.


Comendo e bebendo leite de égua dentro do ger.


Na Mongólia, junto à Pedra Tartaruga.


O roteiro da aventura.




Com meu filho Roberto, perto do Ninho de Pássaros.


Prof. Gretz

Era o inicio dos anos 60; em uma aula de Geografia, a Profª. Luba falou: “Existe uma estrada de ferro chamada Transiberiana que liga Moscou a Vladivostok” (confesso que demorei para decorar este nome). “São 8 mil quilômetros cortando toda a Rússia, a taiga siberiana, o rio Volga, estepes, montanhas e desertos.”

Então eu disse a mim mesmo: “Um dia vou fazer esta viagem.”
Os anos se passaram com muitas lutas por fora e temores por dentro. E agora Deus me abençoou com esta oportunidade de conhecer a terra da minha mãe, que tinha 2 anos de idade quando sua família migrou da Rússia para o Brasil.

Um amigo com quem falei sobre isso, querendo mostrar-se informado, perguntou: “É aquela viagem do Paulo Coelho?” Não, aquela foi outra. Ele foi até o Lago Baikal e depois continuou a viagem até Vladivostok, em mais três dias de toc, toc, toc.

Nesta viagem que fiz com meu filho, após contornar o Lago Baikal, descemos em direção à Mongólia. Atravessamos toda a Mongólia e entramos na China. O final da aventura foi no Ninho de Pássaros (daquele tamanho tem que ser plural, pois devem caber muitos e muitos pássaros).
Tudo ocorreu conforme as minhas expectativas. Aqui vão alguns comentários e informações da viagem Moscou-Pequim:

A Transiberiana percorre 8 mil quilômetros em 12 dias. A composição vai parando para visitas em locais pitorescos. Se o percurso fosse direto, seria de apenas 5 dias.

O Lago Baikal, conhecido como “Perola da Sibéria”, foi o ponto alto da viagem. É o maior lago de água doce do mundo. Sua superfície é de 31.500 Km². É tão grande que, se todos os rios do planeta depositassem ali as suas águas, levaria um ano para encher. Tem profundidade de até 2 mil metros e representa 20% de toda água doce do mundo.

A cabine de luxo oferece duas camas, internet, TV, DVD, rádio, toalete e chuveiro privativo, com apenas quatro cabines em um vagão.

A Mongólia é muito amigável. Dormimos uma noite em um “ger” (cabana nômade), com frio abaixo de zero. Para manter aquecida a tenda, é preciso colocar lenha no fogão de hora em hora.
A alimentação varia conforme o país de percurso (Rússia, Mongólia, China).
Durante a viagem, são promovidas competições entre os passageiros, palestras informativas e até dicas do idioma e dos sons russos.

Na entrada da China, troca-se o rodado do vagão, pois a largura entre os trilhos é menor.
Moscou é uma grande metrópole, bastante moderna. E o interior da Rússia por onde passei de trem é pobre, triste e seus habitantes ainda parecem estar saudosos do antigo regime. O solo russo é muito rico, como também os atuais bilionários de Moscou, porém os campesinos são pobres e parados no tempo.
Pequim foi a maior surpresa que tive nesta viagem. Eu tinha estado nessa metrópole chinesa em 2005 e, voltando agora, apenas 3 anos depois, fiquei assustado com as mudanças.

• Do aeroporto até o hotel (1 hora de viagem) as laterais da avenida, em toda a sua extensão, estão cheias de árvores que foram plantadas, já grandes, em enormes buracos. Ainda vemos estacas escorando seus troncos. Ao andar pelas ruas, tive a impressão de que haviam colocado em um trem, direto para algum lugar distante no interior da China, todas as pessoas feias e indigentes que antes circulavam pela cidade.

• O trânsito está ótimo. Um dia para veículos de placa par e outro dia para as placas ímpares (assim, até São Paulo ficaria melhor).

• Os prédios são enormes e novos, de arquitetura arrojada.

• Fiquei tão fascinado com o verde das árvores e jardins, que classifico Pequim como a cidade mais bonita entre as muitas que visitei nos últimos anos.

• Voltei com uma convicção: A mudança sempre é possível, precisa apenas de atitudes bem administradas. Pequim é um exemplo. O famoso estádio Ninho do Pássaro está parecendo Aparecida do Norte. Seus arredores são repletos de camelôs e lojinhas com todo tipo de souvenir que se possa imaginar.

Antes da viagem, meu filho Roberto me disse: “Se dessa vez o senhor não matar a vontade de andar de trem, teremos que procurar um médico!” E o que mais gostei, ao longo da Transiberiana, foi ficar sentado na cabine do trem vendo as taigas passarem pelas janelas a uma velocidade de 60 Km/hora. Para quem gosta, como eu, sempre saudoso do velho trem da Sorocabana, foi uma viagem extremamente agradável.
Termino estas anotações de viagem lembrando aquela frase do livro
Superando Limites:

“A viagem é mais importante que o destino.”

 


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